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Mensagem S.E. Excelência o Presidente da República, Dr. Jorge Carlos Fonseca,

por ocasião do Dia Mundial da Língua Materna. Praia, 21 de Fevereiro de 2014.

 

Comemora-se hoje mais um Dia Mundial da Língua Materna. É, portanto, mais uma oportunidade para sugerir reflexões à volta da temática.

Se tivermos em linha de conta que a maneira como codificamos as nossas mensagens é tributária de elementos oriundos da nossa língua materna; que os elementos permanentes da nossa cultura são-nos transmitidos através da língua materna; que as tradições, usos e costumes se conformaram e são transmitidos às gerações pela língua materna; resulta cristalina a necessidade da sua preservação e, sobretudo, a sua transmissão às gerações vindouras.

 

A língua materna é muito mais do que um instrumento, é um pedaço da nossa alma que se materializa na nossa cultura. Talvez não seja exagerado dizer que ela está para a nossa cultura como o leite materno está para o nosso ser. Contudo é também um importante instrumento na nossa relação com os outros.

 

Por isso não é tão também desprezível a influência da língua materna na forma como abordamos outras línguas, mormente em situações de diglossia. Os referenciais da língua materna constituem o esteio da base onde armazenamos os dados recolhidos e organizados no processo de aquisição de conhecimentos.

 

Em mais um Dia Mundial da Língua Materna, somos, pois, convocados a reflectir não só sobre a relação que mantemos com a nossa língua materna, como sobre a sua utilidade no processo de preservação da nossa memória colectiva. A morna e a coladeira; o batuque e o finaçon; a tabanca e o colá sanjon; as estórias de Ti Lobo e de seu Sobrinho e de Ti Ganga e dos predadores da sua prole; as fábulas da nossa infância; enfim, a preservação e a transmissão das nossas tradições, orais e escritas, apoiam-se, em grande medida, na língua materna.

 

Pela importância da língua materna na preservação de elementos culturais; pelo papel da cultura na formação e manutenção da nossa identidade, enquanto Nação; pelo impacto que a pujança de uma Nação tem na capacidade de progressão económica e social de uma Sociedade; mister se torna conferir a devida relevância à língua materna. Por isso, em mais esta efeméride, conclamo a Nação cabo-verdiana a se debruçar, com o carinho e o pragmatismo necessários, sobre a nossa Língua Materna, tudo fazendo para sua preservação, progresso e difusão.

 

Para reflexão, aqui vos deixo duas colocações da senhora Directora-geral da UNESCO, no seu discurso por ocasião das comemorações do Dia Mundial da Língua Materna, em 2011:

 

“As línguas maternas têm um papel fundamental em nossas vidas, pois são o meio pelo qual verbalizamos o mundo pela primeira vez, sendo as lentes pelas quais começamos a entendê-lo.”

e

“A partir da língua materna, o aprendizado de outros idiomas deve ser uma das altas prioridades da educação no século XXI.” 

 

Praia, 21 de Fevereiro de 2014.

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publicado às 15:05


1 comentário

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De Manuel Maocha a 22.02.2014 às 12:54

CONCORDO PLENAMENTE CONSIGO SR. PRESIDENTE!
SÓ NAO CONCORDO COM A OBSESSAO DE DETERMINADOS POLITICOS EM IMPOR QUE SEJA UTILIZADA COMO LINGUA OFICIAL. DEIXEMOS QUE CADA ILHA FALA SUA LINGUA E QUE NO FUTURO PROXIMO SEJA ANALISADA PAULATINAMENTE A SUA OFICIALIZACAO

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