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Senhor Presidente da Assembleia Nacional, Excelência,

Senhoras e Senhores Deputados, Excelências,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

 

Gostaria de, em primeiro lugar, prestar homenagem ao povo seychellense e aproveitar a oportunidade que se me oferece para saudar os seus representantes, democraticamente eleitos. Para saudar efusivamente a democracia seychellense.

 

Gostaria, também, de manifestar toda a minha honra e satisfação pelo convite recebido e pela calorosa recepção com que, eu e a delegação que me acompanha, fomos recebidos.

 

Igualmente pretendo, por estas primeiras palavras, expressar igual satisfação pelo  privilégio que me foi outorgado de participar, como convidado de honra, nas comemorações que assinalam o 38º aniversário da Independência deste belo arquipélago abençoado pela natureza.

 

A honra e satisfação tornam-se ainda maiores, Senhor Presidente e Senhores Deputados, pelo facto de ser eu o primeiro Chefe de Estado cabo-verdiano a visitar a República das Seychelles.  

 

Minhas Senhoras e meus senhores,

Acredito, firmemente, que temos, - Seychelles e Cabo Verde -, a grande possibilidade, senão o ingente dever, de lançar desafios ou mesmo de dar lições ao mundo.

Nós somos o futuro. Somos a mistura de povos de raças, de culturas;  uma das bem-sucedidas possibilidades que a geografia, a história, a cultura e a biologia proporcionam à humanidade.  

Mas uma tal visão não implica a perspectiva de valorização excessiva de uma eventualidade histórica? Acreditamos que a nossa realidade, a nossa existência, os nossos processos constituem, exactamente, o antídoto a uma visão  absolutista de determinadas características das pessoas, das culturas, dos povos.

Num certo sentido, somos a absolutização do relativo. Somos a amálgama de diferentes possibilidades que permite a apropriação de valores diversos, de culturas diversas, que apenas têm existência e ganham sentido no quadro da nova realidade una e diversa a que deram origem.

Em Cabo Verde somos africanos, somos europeus, somos cristãos, somos judeus, somos negros, somos brancos, somos mestiços, somos gente. Acabamos sendo africanos mestiços, física e culturalmente, gente do mundo.

 

Senhoras e Senhores,

 

Viajar para um lugar geograficamente distante, mas onde nos sentimos tão perto das pessoas, é algo fascinante e que, de certa forma, atesta o que acima dissemos. A cultura crioula ou, melhor, as culturas crioulas são, no fundo, o resultado dessa habilidade de, naturalmente, apreender elementos culturais de outras regiões, por vezes muito afastadas, diria de vários pedaços do mundo, recriá-los e integrá-los no nosso património cultural.

Por exemplo, na cultura cabo-verdiana, no domínio da música, convivem, genuinamente, com a matriz africana de outras expressões musicais, valores oriundos da Europa Central, - como a mazurka cabo-verdiana -, com fortes influências musicais da América Latina e; toda esta fusão matizadas, por sua vez, por outras influências de várias partes do mundo onde vive a nossa grande diáspora.

 

Minhas Amigas e meus Amigos,

A independência nacional é para nós cabo-verdianos, como para os seychellenses, um marco de valor inestimável. Na verdade, é através dela que nos afirmamos no concerto das Nações e, de facto, assumimos a construção dos nossos destinos.

Como facilmente compreenderão, mais do que como Chefe de Estado, apreendo a transcendente dimensão desta celebração na de militante da luta de libertação nacional.

Tive, na minha juventude, o privilégio de integrar o grupo de patriotas que armado de ideais e de coragem enfrentou o regime colonial e participou na construção do Estado, em condições particularmente difíceis.

É evidente que os nossos desafios, hoje, são de outra natureza mas, como bem perceberão, é particularmente gratificante, para mim, ser distinguido com o nobre gesto de convidado de honra nas comemorações de efeméride tão importante.

Amilcar Cabral, herói das lutas de libertação de Cabo Verde e da Guiné Bissau, dizia que a independência não pode esgotar-se na adopção de um hino e de uma bandeira.

Ela deve, também, significar melhorias para a grande maioria do povo. Nesta linha, é muito compensador reconhecer esforços muito significativos que são realizados pelos nossos países na senda do desenvolvimento e da afirmação da democracia.

O desenvolvimento, por definição, jamais será inclusivo se não puder contar com a participação das pessoas e essa participação só é concebível no quadro da democracia.   

Independência nacional, desenvolvimento inclusivo e democracia são três pilares fundamentais para a construção do bem-estar das pessoas e é com muito regozijo que registo que também são três referências norteadoras das acções dos nossos Estados.  

 

Minhas Senhoras e meus Senhores,

 

Nesta linha, seguimos com grande interesse o esforço de desenvolvimento do povo seychellense em busca da utilização adequada dos seus recursos e verificamos, com satisfação, que nossos dois países, volvidas cerca de quatro décadas como países soberanos, granjearam conquistas de que nos orgulhámos, apesar, é certo, do muito que ainda tem por se fazer.

Nota digna de realce e de enaltecimento/louvor é o facto de, em 2012, Seychelles ter alcançado o nível mais elevado do Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (IDH).

Penso, portanto, que nas áreas do aprofundamento e extensão da Democracia e do aprimoramento do Estado de Direito e do desenvolvimento económico e social, temos muito a aprender com as respectivas experiências.

Julgo, ainda, que a nossa maior aproximação representa uma oportunidade para a consolidação das nossas posições comuns no tocante aos grandes temas internacionais, maxime àqueles que dizem respeito mais directamente ao nosso continente e à nossa condição de pequenos estados insulares africanos.

 

Senhor Presidente,

Senhores Deputados,

 

Se nas esferas cultural e do relacionamento harmonioso entre os povos podemos apresentar ao mundo  exemplos de processos bem-sucedidos existe um domínio em relação ao qual devemos exigir a rápida construção de caminhos que, para nós, constituem imperativos de sobrevivência. Refiro-me aos desequilíbrios ambientais.

Na verdade, enquanto territórios insulares e dimensão territorial reduzida, a nossa vulnerabilidade é muito acentuada e inversamente proporcional à contribuição para a degradação das condições ambientais a nível global.

Não duvidamos da complexidade dos factores envolvidos na procura de um equilíbrio ambiental adequado. Os interesses, nomeadamente económicos, são muito grandes e, não raras vezes, conflituantes com a construção desse equilíbrio. Mas também, enfatizamos que os nossos Estados e outros que se encontram em situação idêntica não podem, de forma alguma, ser penalizados por essa situação.

A nossa sobrevivência está ameaçada ou poderosamente condicionada. Ao mesmo tempo que temos de reforçar localmente a concretização de medidas de protecção ambiental, nestas condições, quer me parecer que a comunidade internacional vai ter de rever, radicalmente, a actual estratégia na luta contra as mudanças climáticas.

Torna-se urgente, perante essa realidade e, em particular, neste ano internacional dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e nas vésperas da conferência de SAMOA, coordenar melhor os nossos esforços, juntar as nossas capacidades e congregar as vontades políticas de todos para chamar a atenção do mundo e dos grandes países emissores para a absoluta necessidade de diminuir drasticamente as emissões de gazes com efeito de estufa.

 

Neste contexto, de urgência que apela para a acção, penso que a solidariedade para com os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e, em particular, para com as ilhas do Pacífico em perigo de desaparecimento,  deve ser reconhecida como uma exigência dos nossos tempos e se tornar um imperativo da política internacional. Devemos, nesse quadro, fazer tudo para garantir o sucesso da conferência de SAMOA. Cabo Verde dará a sua contribuição neste sentido e é evidente que apoiará, de forma resoluta, a candidatura da República irmã, Seychelles, à Presidência da Associação de Pequenos Estados Insulares – AOSIS.

 

Minhas Senhoras,

Meus Senhores,

 

O amplo espaço de cooperação possível, já diagnosticado constitui outro forte factor gerador de aproximação entre os nossos dois povos, independentemente da incontornável realidade que é a distância geográfica que nos separa.

Apraz-me referir que o Ministro do Turismo, Indústria e Energia, que integra a comitiva que me acompanha, realizou, nos dias que antecederam esta minha Visita de Estado, uma visita de trabalho ao vosso país, durante a qual puderam ser exploradas e melhor aprofundadas áreas concretas, tais como, as pescas, o turismo, as energias renováveis e os transportes aéreos, sectores nos quais nossos dois países passarão a colaborar mais estreitamente.

 

 

Senhor Presidente,

Senhores deputados,

Minhas senhoras e meus senhores,

 

A nossa história augura um futuro de frutuosa colaboração a todos os níveis. Podemos, juntos, dar um contributo valioso à afirmação da cooperação sul/sul. Tenho, muita confiança no contributo que a minha visita pode dar neste sentido. Igualmente, as recentes visitas do Ministro dos Negócios Estrangeiros das Seychelles a Cabo Verde e do nosso Ministro de Turismo, Energia e Indústria ao vosso país terão, contribuído, seguramente, para melhor cimentar o que nos une e as áreas em que podemos cooperar e trocar experiências.

Creio que lançamos sólidas bases para o reforço do nosso relacionamento futuro, explorando todas as possibilidades de cooperação e parceria, agora bem identificadas. Foi, também, com isso em mente que formulei ao meu homólogo, Dr. James Michel, um convite para visitar Cabo Verde, na primeira oportunidade que se lhe oferecer. Vamos fazer com que o futuro das nossas relações torne os nossos povos ainda mais próximos.

 

Minhas Senhoras e meus Senhores,

 

A reforma da ONU, no sentido de adaptar a organização aos novos tempos e aos novos desafios, exigirá também a concertação dos representantes dos povos que acreditam nas potencialidades desta organização. Há povos e regiões que merecem estar representados em níveis mais elevados; precisam ter mais vez e mais voz nos órgãos da ONU, mormente no seu Conselho de Segurança. Devemos juntar a nossa voz ao coro de exigências de reformas da ONU. Pequenos estados arquipelágicos e africanos, como Cabo Verde e Seychelles, devem unir forças para garantir que suas especificidades sejam respeitadas, consideradas nos fora internacionais e para que sejam objecto de políticas de discriminação positiva.

 

Senhor Presidente,

Senhores deputados,

 

Se esta minha visita contribuir, de alguma forma, para que o povo seychellense conheça um pouco melhor o povo do meu país; se esta visita contribuir para o estreitamento dos laços que nos unem; se esta visita abrir caminhos para o reforço da cooperação e para novas parcerias entre os dois povos, esta visita terá valido a pena.

 

Quero, mais uma vez, agradecer a oportunidade de falar perante os representantes do povo de Seychelles e aproveitar a ocasião para deixar um abraço fraterno do meu povo para o povo de Seychelles.

 

Contem connosco que nós contamos convosco.

 

MUITO OBRIGADO.

 

Pode aceder ao discurso em:

https://dukwat.s.cld.pt

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publicado às 10:43