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Senhora Governadora de Gauteng, Excelência,
Senhor Presidente da Câmara de Joanesburgo, Excelência,
Senhor Presidente do Conselho de Administração da GGDA, Excelência,
Senhor membro do Conselho Directivo do Departamento para o desenvolvimento Económico,
Ilustres convidados,
Minhas senhoras e meus senhores,

Primeiramente queria agradecer o amável convite que me foi dirigido para presidir este evento prestigiado por tão ilustres participantes. 

Estando neste belo e portentoso país para participar de um grande evento de dimensão continental, que é a CAN 2013, e perante tão selecta assembleia não podia deixar de aproveitar a oportunidade para discorrer sobre alguns aspectos da economia do meu país, como contribuição para um possível estreitamento de relações empresariais entre Cabo Verde e África do Sul.

Cabo Verde é uma pequena economia insular com um grau de integração muito forte na área do euro, em particular com a economia portuguesa e que neste momento procura diversificar as suas parcerias económicas, nomeadamente com os países emergentes com destaque pela África do Sul.

 O meu país situado no interior da elipse que abrange os Arquipélagos vizinhos da Macaronésia e a CEDEAO, tem num nível relativamente elevado de educação, na aptidão para a mudança e na motivação profunda, elementos específicos que asseguram um bom ambiente para investimentos.

A nossa localização no atlântico médio, no cruzamento das rotas que ligam a Europa à América e à África e a escassas milhas da costa ocidental africana; a nossa tradicional abertura ao mundo; a interculturalidade do nosso povo; a utilização de uma língua com mais de 200 milhões de falantes, distribuídos pelos continentes europeu, americano, asiático, africano e mesmo lá nos confins da Oceânia; definiam claramente o nosso papel. Tínhamos de ser uma ponte de ligação entre povos, entre mercados produtores e consumidores e um entreposto de prestação de serviços.

Percebemos também, bastante cedo, o valor de mercado da paz, da estabilidade política e da tranquilidade social. E investimos seriamente nestes recursos. Interiorizámos a necessidade de respeitar as diferenças e o diferente; apostámos convictamente na via democrática; depositámos todos os nossos recursos na capacitação institucional e na montagem de um estado de direito democrático; assumimos o pragmatismo nos nossos relacionamentos, ainda no tempo da guerra fria; premiamos o mérito e condenamos o laxismo.

Sabendo de antemão o que seria preciso para nos transformarmos em um entreposto de prestação de serviços e um bom destino para investidores, avançámos para um programa de infra-estruturação económica do país; fizemos os investimentos necessários em equipamentos sociais urbanos e em saneamento básico; informatizámos o país; edificamos um sistema moderno de telecomunicações e temos avançado na divulgação e utilização das tecnologias de informação e comunicação; facilitámos os procedimentos de licenciamento, de registo e das operações de importação e exportação; criámos um Centro Internacional de Negócios e aprovámos, publicámos e divulgámos o moderníssimo quadro legal que o rege; aprovámos um Código de Benefícios Fiscais com incentivos convincentes, por mais exigente que seja o investidor; criámos uma estrutura virada, essencialmente, para a relação com investidores e potenciais investidores, a Cabo Verde Investimentos.

E porque o papel de ponte pressupõe a existência de dois lados que necessitam de uma ligação inteligente e, sobretudo, confiável, investimos o que tínhamos e o que não tínhamos em infra-estruturas portuárias, aeroportuárias e rodoviárias; assumimos o controlo efectivo da nossa zona de controlo do tráfego aéreo; mantemos a ordem possível na nossa zona económica exclusiva; estabelecemos parcerias com os países da nossa sub-região africana, com os arquipélagos da Macaronésia, com a União Europeia e com os países que têm o português como língua oficial. Somos membros de pleno direito das Nações Unidas, da União Africana, da cedeao e da cplp. Fazemos parte da OMA (Organização Mundial das Alfândegas) e da OMC (Organização Mundial do Comércio) e contamos com tratamento preferencial por parte dos países industrializados no âmbito do SGP (Sistema Generalizado de Preferências).

Integramos o programa AGOA e somos parte de acordos com a EU, que fazem de Cabo Verde uma porta de acesso a alguns dos mercados mais importantes do mundo.

Cabo Verde e a União Europeia gozam de relações de cooperação privilegiadas, tendo sido estabelecida uma Parceria Especial entre o Governo de Cabo Verde e a União Europeia, como "reconhecimento", por parte da União Europeia, pelos "grandes avanços" na boa-governação, na democracia e nos Direitos Humanos do nosso país.

Apesar das dificuldades conjunturais por que passam alguns dos países membros da União Europeia, Cabo Verde continua confiante no futuro desse relacionamento especial, que se consubstancia em projectos concretos tais como a Parceria Especial, a Parceria para a Mobilidade, a participação da UE na redução da pobreza, especialmente nas áreas rurais e suburbanas, e a boa governação, através da ajuda orçamental, bem como na prossecução dos objectivos desses mesmos projectos.

O Governo de Cabo Verde e a União Europeia assinaram a 24 de Abril de 2012, em Bruxelas, o Acordo de Mobilidade interna que se enquadra no âmbito da Parceria Especial e que permite a determinados grupos de cidadãos cabo-verdianos, de entre os quais mulheres e homens de negócios, a livre circulação no espaço europeu, durante 90 dias. 

O clima ameno, as paisagens física, humana e cultural, bem como a grande estabilidade de que goza o meu país têm atraído um número cada vez maior de turistas.,

Na última década, a economia cresceu à média anual de 5,5%, empurrada essencialmente pela dinâmica do sector do turismo, que já representa cerca de 25% do PIB, com tendência para crescer.

Cabo Verde dispõe de um quadro legal, institucional e fiscal atractivo para o investimento externo, não apenas no turismo, mas em outras actividades, como agro negócios, os transportes aéreos, o sistema financeiro, sectores ligados às pescas e outros sectores de economia marítima.

Minhas senhoras, meus senhores,

O país que descrevi acima, de forma sucinta, é Cabo Verde - um país africano, étnica, física e culturalmente mestiço, praticamente virgem, com oportunidades por desbravar, que faz por entender a cultura dos seus parceiros e que torce pelo desenvolvimento da África e pelo bem-estar dos africanos.

Estamos abertos ao investimento sul-africano e ao comércio com o vosso país. Precisamos do vosso concurso para o nosso desenvolvimento, e queremos ir mais longe. Há um potencial que podemos e devemos levar a bom porto.

Muito obrigado.

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publicado às 18:00