Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Workshop transformação agro-alimentar em são Nicolau

Exmos. Senhores Presidentes das Câmaras Municipais de Ribeira Brava e Tarrafal,

Exmos. Senhores Representantes da União Europeia e da Cooperação Francesa,

Caros representantes do MDR,

Prezado Presidente da Organização das Associações Comunitárias de São Nicolau,

Senhores Produtores,

Caros Amigos,

 

 

Começo por agradecer o amável convite que me foi endereçado pela Organização das Associações Comunitárias de São Nicolau para presidir ao encerramento deste Seminário. Aproveito a oportunidade para saudar o projecto que esta Organização, juntamente com a associação francesa Essor, tem vindo a materializar nestas localidades, e que considero vital para o desenvolvimento comunitário.

 

As minhas palavras seguintes vão para os financiadores deste projecto - a União Europeia e a Cooperação francesa – que, com este gesto, demonstram, mais uma vez, o seu interesse pelo futuro e pelo bem-estar das gentes desta ilha e o seu comprometimento com o desenvolvimento económico e social do nosso país.

 

A transformação agro-alimentar, pelos impactos que tem na segurança alimentar e no rendimento das famílias, tornou-se num dos sectores da nossa economia que demanda cada vez maior atenção, seja porque ajuda a ultrapassar obstáculos em contextos económicos difíceis e complexos, como o desta comunidade, seja ainda porque permite acrescentar valor aos produtos agrícolas, em um processo de industrialização virado para a melhoria dos rendimentos dos agricultores e das empresas do sector agrícola.

 

Um projecto preocupado com o incremento da produção, preocupado com a qualidade e apostado em acrescentar valor aos produtos da terra, merece toda a nossa atenção, ainda mais sabendo que ele é resultado da interacção de agentes económicos, protagonistas políticos e parceiros de desenvolvimento.


 

Senhoras e Senhores,

 

Existe hoje clara consciência da necessidade de uma articulação, a mais estreita e cooperante possível, no domínio do agro-negócio. É que o sucesso do agro-negócio depende, em grande medida, do grau de envolvimento e articulação dos principais actores, em uma fileira que vai da qualificação dos solos e das tecnologias de rega ao produto final, passando pelo crédito ágil e em boas condições, pela aquisição de insumos com qualidade, pela organização da produção, pela associação dos produtores. O que eu aqui chamo de fileira e a que também se chama de “cluster” tem de ser a expressão de uma aposta na organização de um conjunto de entidades que, na mesma área da actuação, trabalham em concertação para a produção de matéria-prima e para transformação dos produtos nos seus derivados de mais valor e melhor comercialização.

 

A aposta conquistada em termos da recolha e retenção da água das chuvas, com as barragens já inauguradas, dá algumas garantias em matéria de um bem tão precioso para a agricultura, e não só, como é a água. Igualmente, a instalação dos centros de formação profissional em transformação alimentar constituem condições necessárias para um bom desempenho da fileira do agro-negócio. Mas, elas, importantes, sem dúvida, não são, contudo, suficientes. Convivemos ainda com fragilidades consideráveis, como sejam desperdício da produção agrícola que chega a atingir a cifra de 12% da produção total. E, convenhamos que, num país de parcos recursos como é Cabo Verde, a resolução desta situação deve ser encarada com toda a seriedade. Não se pode consentir que o esforço do agricultor se perca em níveis tão elevados.

 

Este desperdício, que ocorre de modo mais significativo no momento da pós-colheita, conforme alertou recentemente o Programa das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, acontece devido à falta de estruturas vocacionadas para apoiar o processo da comercialização dos produtos agrícolas, conforme esta mesma organização. Por isso, uma vez mais, ressalto a importância deste projecto que, entre outras acções, instala, aqui em Fajã, um unidade de formação e de apoio à transformação agro-alimentar para servir todos os produtores agro-pecuários de São Nicolau.

 

Minhas senhoras, meus senhores,

 

Competirá, em um primeiro momento, aos poderes públicos assumir o fomento das actividades do agro-negócio, como aliás, de toda as actividades geradoras de rendimento. Continuar com as intervenções no domínio da mobilização da água, da infra-estruturação viária, com a aposta na capacitação e no investimento em uma plataforma de novas tecnologias virada para a produção e para a transformação de alimentos, a reorientação da extensão rural, enquanto agência de mudanças na nossa estrutura de produção alimentícia, são desafios que o executivo cabo-verdiano terá de enfrentar e levar de vencida, para o sucesso das actividades do agro-negócio. No caso concreto da ilha de São Nicolau, a resolução da questão das ligações aéreas e marítimas é um desafio adicional da maior importância.

Caberá aos agricultores e às empresas do sector adoptarem uma boa organização das suas sinergias para poderem dar boa conta dos desafios que se põem: a busca de meios técnicos e tecnológicos, humanos e financeiros, a busca de parcerias fiáveis, a reconversão dos modelos de uso da terra e dos recursos hídricos. A experiência do movimento cooperativo poderá ser de grande valia enquanto modelo de organização da produção e da distribuição de bens de consumo.

 

Há um ano, aquando de uma minha visita oficial a esta ilha, defendia que o completo desencravamento da ilha era estrategicamente relevante para o desenvolvimento de S. Nicolau. Queria com isso dizer que, para além de ser prioritário em termos das ligações com as outras ilhas, tinha, e tem, o potencial para desencadear um conjunto de outras soluções para os constrangimentos ao desenvolvimento da ilha. Uma ligação mais ágil de São Nicolau à Capital e aos principais centros de consumo do país contribuiria para aumentar o nível de eficácia na resolução de um grande número de problemas da ilha. Como as coisas estão, as grandes dificuldades de ligações de São Nicolau à capital, ao resto do país e, consequentemente, ao mundo, constrangem o processo de desenvolvimento da ilha. É que assim, a ilha, que precisa fazer as suas provisões em mantimentos, equipamentos e meios de produção e tem necessidade de colocar o excesso da sua captura e da sua produção no mercado nacional, fica significativamente manietada.

 

Se queremos que S. Nicolau assuma o papel que lhe está reservado no sector do agro-negócio, não lhe bastarão as vantagens comparativas que possui. Precisará, em processo de urgência, ser integrada no todo nacional, a única forma de ver suas vantagens comparativas transformadas em posições de competitividade. Aqui vai ser preciso que o Governo, as autarquias locais, os parceiros de desenvolvimento e os agentes económicos se dêem as mãos em uma parceria para o desenvolvimento da ilha, do país e dos próprios investimentos dos privados. A solução está, logo, ao nosso alcance.

 

Minhas senhoras e meus senhores,

 

Prevalecendo o espírito de cooperação que testemunhei nesta assembleia, que reúne agentes provenientes de diversos sectores, antevejo uns dias de esperança e sucesso para os produtores agrícolas, para os criadores de gado e para a população em geral. Melhoria considerável nos rendimentos, na dieta alimentar e qualidade de vida das populações; incremento da arrecadação fiscal para as câmaras municipais e para o Tesouro nacional; mudanças de atitude, postura e comportamento em relação ao processo de desenvolvimento.

 

O facto de, em São Nicolau, as associações das comunidades rurais estarem reunidas em uma organização comunitária mais abrangente demonstra que se mantém a noção de que a união faz a força e que a dinâmica de grupo pode operar maravilhas. E parece que, por aqui, isso não é novidade.

 

Senhores agricultores,

Se conseguirem incrementar a produção e a produtividade e, ao mesmo tempo, mantiverem estas zonas aprazíveis para se viver; se forem capazes de explorar a terra e o mar, mas preservando os necessários equilíbrios ambientais e mantendo o nosso habitat intacto para as gerações vindouras; se continuarem a apostar forte no associativismo e na capacitação profissional; se prosseguirem fazendo investimentos inteligentes em conhecimento e novas tecnologias; se se derem as mãos e trabalharem em parceria, terão feito o que tinha de ser feito, quando tinha de ser feito e em proveito de quem devia ser feito. É essa a trilha, o caminho, que conduz ao desenvolvimento sustentável.

 

Desejo firmemente que enveredem por essa trilha. Não será livre de dificuldades e de problemas, mas existe a certeza de que, lá no final, encontrarão o que todos parecem procurar com afinco: O DESENVOLVIMENTO DA ILHA E A MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DOS SANICOLENSES. MÃOS À OBRA POIS.

Desejo os maiores sucessos aos cooperadores e a toda a classe trabalhadora de S. Nicolau.

 

Muito obrigado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:51