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Sua Excelência Senhor Presidente da União das Capitais das Cidades de Língua Portuguesa,
Sua Excelência Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,
Sua Excelência Senhor Presidente da Câmara Municipal de Guimarães,
Sua Excelência Senhor Chefe da Delegação do Macau,
Senhores Funcionários da UCCLA,
Minhas Senhoras e meus Senhores,

A minha pátria é a língua portuguesa – registou Fernando Pessoa para a posteridade. E é essa língua, hoje com mais de duzentos milhões de falantes, que foi escolhida como elo de ligação entre capitais lusas, afros, asiáticas e americanas, falantes do português, para delimitar a UCCLA.

Quando ainda se ensaiavam os primeiros passos na dita cooperação norte-sul, apareceu a UCCLA operacionalizando acções de cooperação e de transferência de know-how entre cidades lusas, afros, asiáticas e americanas, localizadas em diversas latitudes do globo terrestre.

Por vezes a floresta não nos deixa ver a árvore. Mas para nós que vivemos na Cidade da Praia, membro da organização, a UCCLA não passa despercebida porque está presente e actuante. No Hospital Central da Cidade da Praia é ainda visível a placa que regista a data da inauguração da sala de Radiologia Nuno Cruz Abecassis, financiada pela UCCLA. Talvez seja a placa e a acção mais remota da organização na Cidade da Praia. Mas muitas obras, mais recentes, são visíveis no arquipélago.

A minha visita aqui, hoje, mais do que um mero gesto de cortesia, é uma atitude que se quer seja interpretada como sendo de homenagem a uma organização que mais do que unir as cidades capitais de língua portuguesa, aproxima os cidadãos falantes do português que vivem, trabalham e educam os seus filhos nesses espaços urbanos.

O fenómeno da urbanização, que em algumas das capitais cria alguns problemas às autoridades, parece-me ser uma das áreas que deve merecer a atenção da nossa organização. Porque a urbanização avança e há mais pessoas vivendo nos espaços urbanos que noutros espaços, porque a urbanização não é um problema em si, necessário se torna trabalhar no sentido do planeamento prévio do avanço da urbanização. Porque o cerne do problema reside na forma como a urbanização tem avançado: com planeamento deficiente, muitas vezes de forma descontrolada; levando para as cidades gente com arraigados costumes de outros espaços sociais; e fazendo com que as autoridades andem a reboque dos acontecimentos.

Resulta disso que a urbanização, que era para ser parte da solução dos problemas daqueles que anelam por uma qualidade de vida que não lhes sonegue os ingredientes do seu sonho de consumo, acaba aparecendo como parte do problema dos poderes constituídos no seu papel de provedor de bens e serviços com qualidade. A forma desorganizada como muitas vezes surgem as novas urbes cria, não raras vezes, sérios embaraços a quem tenha por obrigação prover os cidadãos de bens e serviços como a água, a electricidade, o saneamento básico e a iluminação pública. Isso, por um lado. Que, por outro, abre caminho para outros problemas, tão ou mais graves que os primeiros, como a falta de habitação, o desemprego local, a delinquência, a violência urbana, entre outros.

Acredito, por isso, que, pelo menos para a realidade do meu país e da sua capital, se a acção da UCCLA se centrasse no apoio à preparação dos instrumentos de planeamento e gestão municipal e urbana - como o Plano Director Municipal, os Planos Urbanos Detalhados e os Planos de Pormenor – e nos planos de saneamento básico, a sua eficácia estaria mais do que garantida.

É preciso crescer, é preciso avançar, mas mister se torna que o crescimento, que os avanços, não conduzam à perda do controlo das autoridades sobre os espaços cuja administração lhes foi confiada. É fundamental que a urbanização que, ao que parece, é uma tendência pouco menos que imparável, traga, no seu bojo, ingredientes para o progresso e bem-estar das pessoas, afinal a razão de ser da actividade de todos nós. Acredito, piamente, que a UCCLA pode ser de extrema utilidade para a prevenção dos problemas que podem decorrer de um avanço não planeado da urbanização.

Termino agradecendo a disponibilidade para me receberem e à minha comitiva, as palavras amáveis que nos foram dirigidas e toda a atenção que dispensaram a este pequeno discurso. O meu país, a sua capital e as suas gentes estão felizes com a relação de pertença à organização e abertos à cooperação e às parcerias que possam se traduzir em melhoria da qualidade de vida nas nossas capitais.

Muito obrigado.

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publicado às 21:00