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Senhor Presidente, Excelência,
Senhoras e Senhores Presidentes, Excelências,
Senhoras e Senhores Ministros dos Negócios Estrangeiros, Excelências,
Senhoras e Senhores ministros chefes de delegação, Excelências,
Senhoras e Senhores Embaixadores, Excelências,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Tratando-se da minha primeira intervenção nesta Cimeira, queria juntar-me a todos quantos me antecederam para manifestar à S.E. o Presidente Theodore Obiang Nguema Mbassogo o nosso profundo reconhecimento e agradecimento pelas excelentes condições criadas para nos acolher nesta bonita e próspera Cidade de Malabo e pelo modo cordial e fraterno como vimos sendo tratados desde a nossa chegada.

Gostaria de trazer aqui uma curta e modesta contribuição para o debate em torno do tema central eleito para esta nossa terceira Cimeira África – América do Sul.

Começando por afirmar aqui o firme compromisso e empenho de Cabo Verde em relação à feliz iniciativa de estruturar uma parceria estratégica entre África e América do Sul que permita complementar os tradicionais mecanismos e instâncias de cooperação em que os nossos países já se encontram envolvidos, tirando pleno partido das potencialidades e das oportunidades que as grandes regiões África e Sul da América oferecem neste contexto de globalização, quiçá favorecidas pela crise económica e financeira internacional que de uma forma ou outra nos atinge a todos.

Congratulamo-nos com o percurso realizado pela organização começando em Abuja, passando por Nueva Esparta até Malabo. Seis anos representam muito pouco na vida de uma organização como a nossa, sendo que, neste contexto, as dificuldades encontradas não nos autorizam pessimismo, antes exigem de nós todos criatividade e espírito de diálogo e compromisso com vista a encontrarmos, em conjunto, o caminho certo para a concretização de uma parceria estratégica capaz de propiciar resultados palpáveis e concretos para os povos das nossas regiões.

Em Cabo Verde acreditamos firmemente que o mercado África – América do Sul encerra um enorme potencial que podemos transformar em concretas possibilidades de cooperação económica e empresarial e que devem constituir-se em pilares da almejada parceria assente num profícuo diálogo, na igualdade, político, económico e cultural.

Entendemos ainda que a parceria Sul-Sul que queremos erigir entre as nossas regiões deverá sempre germinar em terreno de crescente democracia, de afirmação de Estados de Direito, respeito pelas liberdades e garantias dos nossos cidadãos e da estabilidade política e social.

Neste contexto, Cabo Verde tem se posicionado claramente ao lado de todos aqueles que se opõem à conquista do poder pela força, aliás, em sintonia com os princípios e as deliberações da União Africana. Entendemos que situações como as ocorridas no Mali e na Guiné Bissau devem continuar a merecer o nosso total repúdio. Daí o nosso apoio aos esforços em curso com vista à normalização institucional e a preservação da soberania e da integridade territorial do Mali.

De igual forma, defendemos a reposição da legalidade constitucional na Guiné Bissau, nos termos e nas formas que possam constituir o maior consenso possível entre as partes interessadas, através de soluções as mais inclusivas e abrangentes e que estejam em sintonia, afinal, com os interesses superiores do povo guineense que aspira à paz, à segurança, à liberdade e ao bem-estar.

Gostaria de sublinhar o entendimento de que a parceria estratégica entre as duas regiões não se compagina com terrorismo, pirataria marítima e outras formas de criminalidade organizada transnacional. Aliás, o Atlântico Sul que une as nossas duas regiões, deve ser uma zona onde continuem a prevalecer a paz e a segurança propiciando trocas comerciais globais e, em particular, entre a África e a América do Sul.

Excelências,
Senhor Presidente,

Em relação à questão institucional, gostaria de saudar o trabalho meritório realizado pelos senhores Ministros e os resultados alcançados e submetidos à nossa apreciação.

Congratulamo-nos com o consenso alcançado no que toca a criação de um Comité de Seguimento que seja flexível, virado para projectos em que a acção se sobreponha à burocracia e seja também um Comité participado, incluindo países coordenadores e as instituições representativas das duas regiões, quais sejam, a União Africana e a UNASUR.

No que respeita às modalidades de financiamento de projectos comuns, queríamos deixar uma nota de optimismo no sentido de que, para além das fontes já identificadas possa haver ainda um esforço acrescido para encontrar outras formas de financiamento que devem pressupor a aceitação do princípio de solidariedade.

Finalmente, Senhor Presidente, a nossa ideia e o nosso entendimento que o nosso projecto de parceria só será coroado de sucesso se for também abraçado pelas sociedades civis dos nossos países e dos Povos das nossas regiões.

Muito obrigado.

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publicado às 06:00