Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Comemora-se hoje, 08 de Março, mais um Dia Internacional da Mulher. Perpassados 38 anos à sua institucionalização pela Organização das Nações Unidas, o dia destaca, de modo emblemático, o papel da mulher na construção das sociedades e inspira à exaltação de uma identidade própria às mulheres, independente de suas origens e/ou de qualquer outras características, para além, logo, de todas as peculiaridades.


Apesar de todos os avanços alcançados, a mulher, em muitos países, continua ainda subjugada a violações dos seus direitos, nomeadamente, à violência física e sexual, à falta de investimentos na sua educação e a salários mais baixos, sendo ela, a mulher, ainda, a mais atingida pela pobreza.

Assim, em mais este 08 de Março importante será recordar o actual e ainda necessário compromisso e empenhamento que todos devemos ter com o objectivo da autonomização plena das mulheres em nossa sociedade e no mundo.

No nosso país vivemos uma grande contradição: reconhecidamente as mulheres são elementos determinantes na estruturação e funcionamento da nossa sociedade que, claramente não está organizada para atender muitas das suas necessidades específicas, e, pior do que isso, a discrimina e permite que real e simbolicamente seja permanentemente agredida.

Se podemos atribuir grande parte desse mal a vicissitudes de índole cultural, esta perspectiva muito longe de pretender justificar essa realidade, deve servir para indicar aspectos da nossa vivência cultural a serem extirpados.

Considerar que a subalternização da mulher tem raízes culturais deve implicar que esses aspectos sejam sistemática e vigorosamente combatidos e, simultaneamente, medidas consistentes de política sejam adoptados.
No fundo, acredito que intervenções claras, que apenas a médio e longo prazos terão resultados, deverão continuar a ser concretizadas e aperfeiçoadas, em simultâneo com outras de impacto mais imediato (legais e institucionais).

Não deixa de ser doloroso constatar que as mulheres que no país e na emigração, como tenho dito, literalmente carregam o país ao colo, sejam agredidas no próprio lar, discriminadas em termos salariais e alijadas dos centros de decisão ao nível dos partidos políticos e das diferentes esferas do Estado, bem como no concernente às actividades económicas.

Mas é a história de tenacidade das mulheres desta terra que aponta o caminho a seguir, o modo de vencer os obstáculos, de ultrapassar todos os escolhos, de reinventar um mundo com sabor a poesia e cheiro a madrugadas.

Não obstante os inegáveis avanços conseguidos nesse domínio é imperioso que a situação da mulher em Cabo Verde seja, de facto, considerada uma das nossas grandes prioridades. Não se trata apenas de uma questão de justiça, mas de um processo fundamental ao equilíbrio da própria sociedade.

Nesta esfera, também é urgente realizar a Constituição, sintonizá-la com a vida, para que, como diria ao poeta, “ no jardim do futuro, construamos, hoje, o nosso canteiro”.

Exorto toda a Nação a apoiar esta importante meta das organizações, internacionais e nacionais, e que deve ser, em essência, um objectivo de cada homem e de cada mulher, de homens e mulheres que percebem-se em suas semelhanças e que respeitam-se em suas diferenças.

A promoção da igualdade de género e das condições para que as mulheres e raparigas usufruam plenamente dos seus direitos fundamentais é uma meta elementar para bem-estar de todos nós.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 06:00